Por vícios do ofício, recorrerei à metáfora da esgrima, da degladiação, do combate.
Eu me pergunto:
O que define uma boa guarda?
Eu sei que tenho uma boa guarda. Forte, confiante, ostensiva. Ninguém nega isso.
Mas, às vezes um golpe atravessa.
Alguém encontra uma brecha. É mais hábil, ou talvez eu apenas tenha vacilado.
Eu me recomponho rapidamente. Continuo lutando. Mas passo o restante do combate pensando naquele único golpe que entrou.
O outro lado também percebeu.
Agora ele conhece a brecha da minha guarda.
Vai tentar novamente.
Mudo a estratégia e sigo em frente. Funciona por um tempo.
Até que outro golpe entra.
O adversário sorri.
E, pela primeira vez, já não tenho tanta certeza de que minha guarda seja realmente boa.
Talvez uma boa guarda não seja aquela que nunca cede.
Talvez seja aquela que continua de pé depois de ser atravessada.
Mas essa resposta não me satisfaz.
Então volto à pergunta.
Esse combate ainda faz sentido?
O risco ainda vale a pena?
Ou será apenas meu ego insistindo que ainda é possível vencer?
A Guarda da Ira, Zornhut. Uma guarda conhecida do renomado tratado de guerra da esgrima alemã de Joachim Meyer, 1570.

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