A Fumaça
Uma provocação, escrita originalmente em 2023.
Do fogo, eu me faço cria, danço e me espalho, pelos lados e quinas como se quisesse me preencher de mim mesma tudo à minha volta. Que eu me me adeque ao que meu mestre mandar.
Do incenso do sacerdote, eu provoco, mucosas e sentidos torturo e revelo tudo aquilo que queiram evitar de saber. Sou a mensageira inevitável e incontornável.
Do cigarro do homem, eu transbordo sensações, levo e trago males e bens, pensamentos arredios e amores inconsolados, como um cavalo selvagem que o ronda e por vezes o derruba.
Do ataque, eu sou inexorável, impeço, tomo o ar, desmaio e empurro. Sou uma parede negra e levo a mensagem da vitória a quem quiser ver.
Do banquete, eu lanço como um véu o paladar rústico, transformo tudo que toco e ninguém pode duvidar da minha presença e deixo marcas na memória emocional de quem me prova.
Filtro mentolado.

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