Porquê Radicalizar?

 Porquê Radicalizar?

Uma provocação política de mim mesmo escrita originalmente em 2022.


Eu sempre assumi uma postura mais à esquerda, desde mais novo, só não sabia que isso tinha um conceito formado, tudo o que eu era entusiasta ou gostava, era demonizado e afastado de mim, seja pela minha família ou pela sociedade como um todo. Da mesma forma, pelas minhas experiências pessoais de vida e como eu decidia lidar com os problemas, me forçaram pela falta de opção, á um estado de sobriedade emocional, lucidez e temperança política. Eu hoje vejo como isso tudo me fez mal, me gerando problemas em muitos níveis de relacionamento. Hoje me considero um radical, preferindo assim, lidar com os problemas pela raiz, sem rodeios ou paliativos, até onde esteja ao meu alcance.


No tempo em que eu escolhia entender os lados de uma situação, costumava acreditar possível de se aproveitar alguma coisa de qualquer relação, pessoa ou situação; acreditava que deveria respeitar as regras do jogo, e não cometer a mesma indelicadeza que o outro lado; enxergava somente como válida, uma crítica que estivesse afastada de seu objeto de análise; que deveríamos cultivar uma racionalidade abstrata e estéril; que fugir de “extremismos” era a melhor solução para um cenário caótico; que pessoas revoltadas, tristes ou indignadas sofriam da falta de calma; que empatia era uma prática cotidiana e resolvia muitos problemas.


Eu já estive muito frustrado, desesperado, melancólico e não aceitava reagir, não parecia correto.


O que me fez mudar?


Eu estava exatamente onde eu deveria estar, numa posição de passividade, sem questionar ativamente; eu aceitava a condição de mendicância que o mundo me imporia; acreditava no juspositivismo e que o cosmos era equilibrado, bastava apenas eu não dar ouvidos à voz da tristeza e rugido incômodo da indignação, afinal a civilidade seria o caminho. Eu caminhava para uma visão tecnocrata e vacilante.


Tudo o que eu gostava era demônio, era comunismo, era devassidão. De tanto tabu e me empurrar para um suposto abismo, eu já não tinha mais nada a perder e pulei nele, gostaria de ver seu fundo.


Ser radical é não querer perder mais tempo com arranhar a superfície, dar um jeitinho, evitar a briga ou não tensionar o debate. Ser radical é construir uma luta diária pelo certo e não se calar para o errado, mesmo que talvez isso signifique cortar laços; não ir mais aquele local; não deixar que o assédio fique por isso mesmo; é saber diferenciar qual campo vale a pena lutar, mas não deixar de lutar. Nós somos empurrados para uma realidade que é intransigente, não devemos ser tolerantes com o intolerável, não existe estar em cima do muro, pois geralmente o muro tem dono.


A racionalidade, a distância emotiva é uma ilusão, por que todos nós lutamos também por afetos, nos convencemos também por afetos. A paixão não é algo que deve ser controlada ou freada, ela deve ser incendiada e aproveitada da forma correta. Como eu devo pedir paciência de quem tem fome? Como eu vou exigir temperança daquele que sofre? porque eu deveria pedir para o injustiçado não reagir? É natural, aliás, é humano que pessoas sejam movidas por raiva e indignação, não devemos exigir que seus sentimentos legítimos sejam encaixados a força num jogo injusto. Devemos cultivar empatia sim, mas que ela sirva para o bem dos trabalhadores e dos oprimidos, que ela nos permita ter a esperança de algo melhor, que ela nos ajude a tomar a decisão acertada. Eu tenho um coração pulsante dentro do peito e não devo ter medo dele.


Acima de qualquer coisa, ser radical é uma escolha diária de querer ser a mudança que se quer ver no mundo, é entender que somos agentes históricos ativos, é não aceitar migalhas. 

Custe o que custar, pois tudo tem consequência.


 Aqueles que porventura não entendam esses motivos, sintam medo ou achem um exagero, estão no lugar certo.


"Hay que endurecerse pero sin perder la ternura”. Comandante Ernesto Che Guevara.



A vitória do exército vermelho sobre a Alemanha nazista, pela tomada de Reichtag em 2 de Maio de 1945.

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